quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Eleições, furacões e outras coisas .

Aproximam- se as eleições autárquicas e serve tudo para que os candidatos se auto promovam. Os incêndios e suas terriveis consequências continuam a estar na ordem do dia, sem qualquer pinta de vergonha para os candidatos. Como nao se podem inventar mais mortos e o territorio devastado pouco importa a estas mentes ressabiadas , saltou para a ribalta a distribuição dos fundos recolhidos. Nada que nao me surpreenda . Alguėm ja relacionou a partilha do dinheiro com os partidos a que concorrem os presidentes de Câmara ? Um estudo que devia ser feito . Não foi o procurador da misericórdia de Pedrógão o célebre inventor dos mortos ? Não foi às Misericórdias que parte substancial das verbas fou entregue ? E , afinal, pessoas não colectadas nas Finanças e como tal isentas de pagar impostos , por falta de rendimentos que obviamente não declaram, exigem agora subsidios para adquirir as muitas ferramentas e alfaias agricolas que possuíam e arderam ? Então , os rendimentos eram ou não suficientes? E não pagavam IVA na aquisição desses instrumentos ? Alguma coisa não bate certo nestas histórias, por muito grandes que sejam as dores destas pessoas e que eu lamento , sinceramente . Mas eu pago todos os impostos e sempre declarei todos os rendimentos . Talvez , não o devesse ter feito .
Desculpem- me , quem ler estas palavras , mas não acredito nas intenções tão filantrópicas dos candidatos autárquicos . Quem não conhece o favorecimento dado por eles , ao longo destes anos após o 25 de Abril , aos correlogionários de partido e de negociatas ?
E eis que a Natureza, mais uma vez, vem alertar os Homens para as forças que não podem controlar . Os Furacōes, com nomes de gente , que varrem ilhas turísticas , onde invariavelmente os turistas pouco sofrem a não ser os sustos, que acabam por se tornar aventuras de férias para contar aos amigos e aos jornalistas, ávidos de sangue, mas onde as populacões locais vêem as suas casas destruídas assim como os meios de subsistência . E lá vão outra vez os donativos em milhões que , distribuídos por governos e instituições internacionais muito qualificadas , hão- recuperar as instalações levadas pelo vento ciclónico e pelas águas enfurecidas do mar ou das chuvas. Os habitantes continuarão pobres , com casas frágeis, sem fornecimentos básicos . Basta lembrar o Haiti ! Nunca recuperou e as populações nem sequer foram avisadas, segundo a imprensa . Pois, essas pessoas não têm twitter , nem sequer luz ...
Este é o mundo em que vivemos ... Dói muito quando reflectimos sobre estes acontecimentos ! Dói, ainda mais, quando pensamos nas crianças que não pediram para nascer nesta selva de hipocrisia !

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

E a debandada começou

Manhã de Setembro. Uma temperatura amena , suave depois da chuva que caiu, durante a noite, dando de beber aos campos ressequidos pelo sol de Agosto. 
O silêncio começa a reinar . Já se ouvem os passarinhos e os risos das crianças nos baloiços é raro. A mistura de línguas europeias deixaram de penetrar nos nossos ouvidos .
O bar, onde tomamos o café , de manhã, vai fechar dia 17. As ruas do parque voltam a ser estradas cinzentas, cobertas de caruma , ladeadas por arbustos sempre verdes . 
O sossego do Pinhal retoma o seu lugar, apenas quebrado nos sábados ou eventualmente nas sextas-feiras , dependendo do horário escolar dos filhos ou netos.
Fazem- se os últimos churrascos. Trocam- se as moradas e promessas de reencontros em breve com amigos e amores de verão, que mais  tarde são agradáveis memórias, tornando-se nas " melhores férias " tidas . E Setembro  é também um mês de recordações. 
Um mês de roupeirosdesarrumados , dada a roupa amontoada por lá , aguardando a chegada do Inverno sem margem para dúvidas . 
Gosto de Setembro. Das cores suaves que  cobrem a terra. Da neblina e do sol que nos visitam frequentemente. Das paz que se respira neste lugar. Dos passarinhos que voltam a ouvir- se e voam , em bandos, rente ao chão coberto de carumas, o que nos permite prever os tons de Outono . 
Gosto de Setembro! 
Do silêncio . Das cores. Das saudades de outros tempos e outras férias ! 
Da suavidade! Dos chuviscos matinais! Do sol que nos leva até ao Verão que já foi e , muitas vezes, regressa para nos permitir voltar a vestir as roupas de verão preferidas ! 



domingo, 27 de agosto de 2017

Domingo à noite

 A multidão invadiu o Parque da cidade. Na esplanada, completamente esgotada , vejo os grupos de gente de todas as idades passando. Ao longe, ouvem-se os instrumentos musicais a serem afinados . Aguardo o cappuccino que pedi. Chegou. Já não havia chávenas , tal o movimento, mas a criatividade resolveu o problema , como podem ver na foto. 
Afinal, o que explica tal agitação num local normalmente tão calmo? A Feira dos frutos , que acaba hoje ? Não. 
Algo muito simples - um concerto dos Xutos e Pontapés... a maior parte das pessoas não vai conseguir ver nada , com toda a certeza mas ali vão , felizes e contentes, ouvindo de mais perto, em pé, mal se podendo mexer , para o recinto. 
O som ouve- se aqui. E até nem se ouve mal . Vamos tomar o café , calmamente e aproveitar para escutar  a música bem conhecida desta Banda ! E entretanto o frasco com o cappuccino arrefeceu . Já o posso beber ! 


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Inquietação

O sol vai brincando comigo . Vai e vem . O vento copia-lhe a brincadeira assim como as cores do céu , entre o azulado e o cinzento-claro, de vez em quando rasgado pelo brilho do sol que espreita  .
Enquanto tomo café, no lugar do costume , tento perceber o que se passa na minha mente . Permanentemente coberta de nuvens , detestando as tarefas de casa , vou caminhando pelas veredas dos sonhos que sonhei .
Já nem sei bem o que desejo ! Paz? Sem duvida mas que não esteja contaminada pelo bolor do tempo ou pela podridão da hipocrisia .
Silêncio? Também, mas que não seja demasiado ou total para não me conduzir ao silêncio dos cemitérios .
Tempo? Talvez   Parece pouco quando percorro caminhos novos da vida e demasiado sempre que confinada a espaços silenciosos , que se vão tornando opressivos. Por vezes, a vida que ainda tenho para viver transforma- se numa espera dolorosa de ver o tempo passar ...
E então , como me sinto hoje ? Não sei nem encontro as palavras necessárias ou suficientes para o explicitar . 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

manhã na esplanada

Numa esplanada em agosto. 2017. Um ano inesperado. 
Férias, dizem. Mas férias, tem ela durante todo o ano.
 As férias de família para ela acabaram. Uns trabalham. Outros afastaram- se por serem incapazes de reconhecer alguns erros . 
Por muito que sofra, há atitudes e palavras trocadas  que não podem desaparecer da cabeça de quem atingiu os 70 anos, pugnando sempre pela lealdade e pondo a felicidade da família directa acima dos próprios interesses. 
Foi um erro crasso, cometido, apesar das sábias palavras dos mais velhos de então, e que ela não quis ouvir ou não entendeu.
Hoje, a solidão pesa- lhe, mesmo que rodeada de gente. As palavras são caladas tal como os sentimentos de frustração que a habitam. 
Ignorou sinais surgidos, pretendendo não perceber  o significado que realmente continham. 
O marido sempre manifestou , em atitudes e palavras , que apenas a família dele era bem recebida, sem caras amarradas, como dizem os amigos brasileiros, sem gestos bruscos, por -vezes, mesmo agressivos .
 A família dela sempre fora recebida com parcimónia, o que conduziu a muitas discussões e a um calar de sentimentos ao longo dos anos.
Com a idade, tudo se agravou.
 A agilidade foi sendo  cada vez menor, diminuindo na proporção exacta em que o mau humor na presença de outros, que não os seus, aumentava. Nada do que outros ,que não ele, fizessem, estava correcto. Agia como se fosse o único dono da casa que habitava com a mulher, ignorando que tudo fora adquirido por ambos. 
Ela sentia- se pouco à vontade na própria casa. 
Não era apenas uma questão de arrumação ou decoração. Era muito mais do que isso. Não sentia a casa como sua. Era a empregada que não punha o pijama em cima da cama, como ele pretendia. Era o barulho do aspirador que incomodava. Eram as camisas penduradas em cabides nas diversas portas da casa que não podiam sair dali. Era a sala , onde a mesa de jantar mais parecia uma estante , tapada com um toalha bem combinada com a restante mobília, que não se  via, dada  a profusao de jornais, remédios, medidores de tensão , drone e correio por abrir ali depositados. 
Nas costas da cadeiras, os diferentes casacos de malha e camisas que vai vestindo e largando ali para voltar a vestir. 
Todos estes gestos  ela observava, muda.  Tudo  isto a deixava aborrecida mas para evitar azedumes, ia- se calando e desistindo de ter uma casa como sempre tinha desejado e onde os familiares se sentissem bem . Uma casa que pudesse abrir , ao sabor dos dias, a amigos e mesmo conhecidos para um cafezinho, um drinque e uns dedos de conversa. 
Desistiu  de convites, pois sempre que tal acontecesse, o trabalho de ter a sala realmente disponível e agradável era demasiado. 
Jantares, só com familiares directos, e, nessas ocasiões,  ele condescendia em ter uma sala confortável , com espaços, apresentável, metendo tudo quanto cobria a mesa em caixas, cuidadosamente arrumadas num canto qualquer, invisíveis aos olhos da visitas.
 As caixas iam permanecendo nos cantos e a pouco e pouco, quase todos os objectos regressando ao tampo da mesa , comprada há dezenas de anos, em Lisboa, quando ela ainda acreditava numa  harmonia possível de ser criada ao longo dos anos de convívio futuro.
Hoje, na esplanada, ela recorda momentos de felicidade realmente vividos , sentindo - se repleta de nostalgia e simultaneamente furiosa consigo mesma por não ter sido capaz das mudanças que deviam ter ocorrido .
As mesas da esplanada, abrigada dos ventos habituais naquela Praia, estão ocupadas por famílias, por turistas, por grupos mais ou menos numerosos, tomando café, almoçando tostas enquanto as crianças comem gelados e circulam de trotinetas, chamando avós e pais em tons mais ou menos altos, como as crianças fazem despreocupadas e felizes . 
Ela recorda os netos que não estão ali com eles.
 Uma única  mesa ocupada por um casal, com as chávenas de café e a garrafa de água , tomada sempre após a bica , em cima da mesa branca ladeado por á cadeiras vermelhas, de plástico, com a publicidade da marca do café, servido ali. 
Nessa mesa, estão ele e ela. Ele vai lendo o jornal, comprado diariamente embora nem sempre lido com rigor. Ela, escrevendo no iPad, ouvindo as palavras  e risadas  dos outros  clientes, observando o ambiente habitual de férias e recordando um tempo que já não vive nem viverá mais.

 A estrada da vida é cada vez mais curta e ela vai caminhando como pode.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

AbrileMaio, sempre comigo

Abril e Maio foram sempre os meus meses de eleição. Temperatura mais amena, sol iluminando as ruas das cidades com flores de todas as cores do mundo, com mais ou menos esplanadas onde gente, não demasiada, se acomoda para sentir o calorzinho que não é de lareira nem sem de aquecedores , onde as roupas leves dão lugar a casaco e cachecóis que tapam corpos e cabeças a ponto de quase não reconhecermos quem se esconde lá dentro... 
Abril e Maio, meses que nos separam dos meses de inverno em que apenas as cores encarnadas , doiradas e brancas do Natal e da Neve preenchem montras e ruas e estradas mas por pouco tempo.

Conversa na esplanada

Na esplanada da Praia Velha, no Clube da Praia, aguardando uma água bem fresca, enquanto ao lado, duas mulheres de cerca de 40 anos, almoçam e conversam... 
As palavras de uma delas deixam- me triste e reflectindo no mundo que nos rodeia. Afirma ela, bem decidida e sem qualquer hesitação que não está para não poder ir de férias , sempre e quando lhe apetece, para cuidar da mãe , com cerca de 65 anos. Já decidiu, até porque os filhos também já lhe disseram e , segundo ela, têm toda a razão... A mãe, por muito que não queira, vai para um Lar. Eles irão lá sempre que puderem. Até porque a mãe tem um feitio difícil e está sempre chamando a atenção aos netos, que são uns amores mas estão habituados a fazerem o que gostam e querem 
Afinal, não podem estar todos dependentes da Mãe e Avó , palavras assim mesmo proferidas por quem é Mãe hoje e contou com a ajuda da sua Mãe na educação dos filhos, que hoje se recusam a ajudar .
Nada tenho contra Lares e ou Instituições que acolhem pessoas idosas. Nem eu sei se algum dia optarei por encontrar apoio numa dessas instituições, escolhida por mim mesma , ainda lúcida é analisada a minha condição no momento. Contudo a frieza com que esta mulher falava da situação da mãe e da nula disposição  para a apoiar deixou- me perplexa, para não dizer chocada.
Será esta a realidade preponderante nesta sociedade? Quero acreditar que não... mas dentro de poucos anos saberei quais os tempos e carinhos que me aguardam...